Sexta-feira, Abril 28, 2006

Maravilhas de um laboratório

Caros amigos,

Hoje resolvi vir aqui mostar algo raro, que quase sempre nós não conseguimos ver. O que come um choco?
Há alguns dias atrás, chegou aqui ao laboratório uma amostra de chocos para análise. Eram grandes e gordinhos (grelhados.....hummmmm!!!) e tinham muita tinta. Normalmente quando se analise este tipo de alimento, em especial os chocos, encontram-se no seu interior feses e tinta.........mas..........desta vez algo de fantástico aconteceu. Quando se estava a abrir o choco verificamos que não havia, nem tinta, nem feses...........porque este não chegou a fazer a digestão. Dentro, vinham cerca de 12 peixinhos pequeninos. Além de terem quase o tamanho da boca do choco (comilão), não sei como não apanhou uma indigestão. Para que vocês possam ver o mesmo que eu, aqui ficam as fotos......não são de grande qualidade porque a máquina também não era e por isso tivemos que nos sujeitar ao que havia.

Abraços e bom apetite!!!!!!!





Quarta-feira, Abril 26, 2006

Barreira dos 1000!!!!!

Amigos,

O nosso blog quebrou a barreira das 1000 visitas ao site, correspondentes a 2484 visualizações. As visitas têm sido variadas, Portugal, Brasil, Estados Unidos, China, Canada, Bélgica, Alemanha, Espanha, etc.
O nosso visitante 1000 é de Portugal e visitou-nos a partir de Carnaxide. Parabéns pela pontaria.

Abraço.

Terça-feira, Abril 25, 2006

Fim de semana no Grove

Caros colegas,

Não quiseram ir ao Grove, pois não? Não sabem o que perderam. Um dos melhores fins-de-semana de mergulho que fiz até hoje no Grove.
Mas, começemos pelo princípio. 6ª feira estava um tempo terrível no Porto. Telefonei ao Santi e ele disse-me que não estava a chover e de vez em quando até havia umas zonas de céu azul. A viagem de carro foi toda ela debaixo de chuva intensa e, quando cheguei ao Grove, não havia melhoras. Fiquei ligeiramente preocupado...

Acordo de manhã e ... céu limpo e uma temperatura bastante agradável. A sorte estava do nosso lado. O primeiro mergulho foi na "Encontrada" para avaliar o comportamento dos menos experientes na água. Dividimo-nos em 2 grupos, um para cada lado (e foi mesmo lados opostos - quem lá esteve viu), e vamos para baixo. Nos primeiros minutos mergulhei de costas, isto é, sempre a olhar para os alunos e, quando me virei, um congro enorme fora do buraco, a passear como se nada fosse, à nossa frente. Quando deu pela nossa presença, procurou um buraco (sem grandes pressas) e lá se escondeu. Como era muito grande ainda demorou a entrar no buraco levantando bastante suspensão. Depois, nunca mais o vimos. Regressamos para o barco todos contentes por termos visto um congro daquele tamanho.

Depois de almoço, o tempo continuou bastante bom e preparamo-nos para o segundo mergulho. Escolhi fazer um dos mergulhos que mais gosto de fazer no Grove (Bateira - Baixa dos Losquillos). O nosso amigo congro que costuma estar debaixo do bloco de cimento, lá estava à nossa espera. À volta da pedra havia imensa vida apesar de não ter visto mais nenhum congro. Na zona da bateira, estava igual ao que é costume, com a vantagem de estar bom tempo e conseguirmos ver os raios solares atravessarem os cabos da bateira.

Domingo de manhã, nem nos levantamos mais tarde pois tinhamos uma viagem de 30 minutos até ao "Jonh Smith" (sim, o barco que lá está afundado desde 1977). Bem sei que há muito boa gente que nunca fez este mergulho mas, ... paciência. É uma zona em que é mais fácil apanharmos corrente e, como estava um bocadinho de vento, havia corrente à superfície. Nos primeiros metros a água estava suja mas, depois, limpou. É mais um naufrágio. Está pousado direito num fundo de areia a cerca de 20 metros de profundidade e em muito boas condições. Tem alguma vida e é engraçado por podermos fazer penetrações (desta vez, só eu é que fiz - o resto do grupo acompanhou-me pelo lado de fora). A visibilidade só piorou quando um dos grupos quis fazer uma foto de família (não faço mínima ideia que tal é que ficou).

Após 3 mergulhos dos melhores que fiz até hoje no Grove, contas e regresso ao Porto para comemorar o título de campeão nacional (viva o Porto, carago).

É verdade, já me ia esquecendo. Para quando a francesinha? Sempre que vou ao Grove lembro-me sempre da comida do Porto (vá-se lá saber por quê...). Não pode ser neste fim-de-semana. Como sabem vamos para Faro mergulhar.

Saudações mergulhísticas

Quinta-feira, Abril 20, 2006

Martin Stepanek bateu o Record Mundial de Mergulho Livre


Martin Stepanek (Checo residentes nos Estados Unidos) bateu o seu antigo record, obtido à dois anos, de 102m atingindo agora 106m (Mergulho validado pela AIDA). O record foi batido durante uma competição nas ilhas Caimão e foram necessários 3min 52sec. Neste tipo de mergulho, o mergulhador não usa qualquer tipo de propulsão a não ser puxar-se através de uma corda.

Quinta-feira, Abril 13, 2006

Noticias das Maldivas (11)

Despedida!

Agora sim, chegou a ocasião de fazer as malas e voltar para casa.

Depois do último mergulho, tomamos banho e resolvemos dar um passeio por Malé. Sim, que isto de ir a países tão distantes e só conhecer o aeroporto e debaixo de água, dá direito a criticas (já fui muito criticado por ter ido 2 vezes ao Egipto e nunca ter visto uma pirâmide).

Malé, como todos sabem, é a capital das Maldivas. Surpreendeu a simpatia do povo que vive numa ditadura disfarçada. É uma República desde 1965, ano em que se tornou independente (das mãos dos ingleses). O ponto mais alto das Maldivas tem 2,4 metros de altura e é constituído por cerca de 1200 ilhas divididas por 26 atóis (pormenores ficam sempre bem). Foi possível ver um canhão português da nossa passagem fugaz pelas Maldivas.

Última noite e organização das tralhas que na viagem de volta ocupam sempre mais espaço.

Dia para dessaturar a ser passado no aeroporto, que tem um ritmo de um avião de 2 em 2 horas e com condições de conforto “à maneira”! O calor era imenso (deviam estar uns 30ºC mas pareciam 40ºC) mas para ajudar havia um chuveirinho de água que nos ia refrescando de 5 em 5 minutos, enquanto almoçávamos. Contudo descobrimos o furo. As lojas tinham ar condicionado, pelo que passávamos a vida dentro das lojas a comprar coisas desnecessárias só para nos refrescarmos. Loja dos souveniers com filme indiano a animar o Pedro Alves que já dava os primeiros passos de dança ao som do musicol. Depois eu e o Pedro Alves fomos para os correios, onde estivemos muito tempo a apostar se a senhora estava sentada ou de joelhos, afinal estava de pé (o pessoal nas Maldivas é “grande”, sinto-me em casa). Depois fomos à loja da internet para mandar o mail ao barbatuning (uma vez gorado o nosso acesso ao blog). E voltamos aos Correios, onde já estavam outras duas meninas, que nos informaram que um homem nas Maldivas pode casar com 10 mulheres, pelo que o 82 perguntou logo a uma delas se tinha amigas. Estava a ver que já não voltava e tive de o arrastar da loja.

Chegada a hora do check-in, toca a chamar a malta toda e quem é que faltava? Nem mais, a Mancha Negra. Tinha decidido ir tomar um duche! Resultado: toda a gente passou à nossa frente. E nem sequer vinha a correr, nem com sabão no corpo de um duche interrompido de emergência. Pura descontracção. Ao nível da do 82 a fazer striptease para trocar de roupa.

Mas, para mal dos pecados destes dois, o avião estava com o ac desligado e durante meia hora enquanto o avião não levantou voo levamos com mais de 50ºC de temperatura. Neste ambiente infernal, apenas os 2 casais de florzinhas que estavam em Lua de Mel e nas Bodas de Prata, pareciam indiferentes ao calor. Valeu a simpatia da hospedeira que sempre com um sorriso nos lábios nos ia agradecendo por tudo e por nada (dizia um thank you com a língua de fora que ninguém deixou de reparar).

Viagens destas são sempre penosas e para ajudar ainda fizemos uma escala em Doha (capital do Qatar), onde deviam estar umas 10 pessoas por metro quadrado, pelo que a opção foi sentar no chão e bem no meio do aeroporto.

Finalizamos a viagem na melhor cidade do Mundo (o Porto), onde tínhamos os nossos entes queridos à espera (as minhas meninas incluídas), e o relógio já marcava 28 horas desde a nossa chegada ao aeroporto de Malé. Fica o registo da não comparência do 3M nesta recepção, merecíamos que ele estivesse à nossa espera de ramo de flores na mão para cada um de nós (no mínimo).

Aguardo pelos relatos de próximas viagens de qualquer um dos frequentadores do blog. Espero que se tenham divertido. Até sempre!

Terça-feira, Abril 11, 2006

Noticias das Maldivas (10)

Embudhoo Express - Se é expresso, deve ser de gás a fundo...

Último mergulho. Só podia ser a apoteose!

Entramos na água, descemos aos 15-20 metros. Estamos na parede exterior do canal, lado sul. Fazemos a parede em direcção a norte onde vamos encontrar a entrada do canal. Temos o azul do lado direito. Vamos no grupo da frente (como se fosse novidade...), avistamos um Tubarão Cinzento de Recife. Começamos a descer a aproximar-nos desse Tubarão. Eis se não quando começamos a ver Tubarões a magotes. Sim, é verdade, os dedos das duas mãos não eram suficientes para os contar todos.

Mas os Tubarões não era espectáculo suficiente para último mergulho da viagem. Tiveram de vir as Raias Águia.


Mais uma vez passei-me com a câmara pois no platô, enquanto estávamos envolvidos por mais de 15 Tubarões Ponta Branca, fiquei com o zoom preso cerca dos 100-120 mm e não consegui fazer recuar para wide angle. Nas minhas fotos o máximo que consigo contar são 6 Tubarões na mesma foto!... Fiquei fulo da vida.

Como se não bastasse, cortei-me quando estava a arrastar-me pelo platô. E o mais estranho for ser na mão direita, que supostamente não larga a máquina fotográfica. Era o único que ainda não se tinha cortado. Aliás tinha-me gabado disso junto dos meus companheiros, que por esta altura já todos apresentavam mazelas e recorriam a luvas.

A determinada altura fico exausto. É que com o limite de Deco a 0 minutos começamos a subir lentamente, mas a remar contra a corrente para prolongar o espectáculo a que assistíamos da primeira fila. Dos 4 fantásticos eu sou o que estava mais a norte, mas tanto a mim como aos meus companheiros começam a faltar as forças. Fazemos sinal uns aos outros para não lutarmos mais. Começamos a nadar apenas em direcção à encosta oposta do canal, sofrendo deriva da corrente, atingindo a parede oposta já dentro do canal.

Abrigo-me numa caverna. A Graça, a Fató e o Pedro juntam-se a mim. Recuperamos o fôlego por uns segundos e começamos a avançar abrigados pelas cavernas sucessivas. Vemos o resto do grupo a ir passando a grande velocidade. Temos encontros imediatos com dois Meros de porte muito considerável, assim como com umas suas primas Garoupas, um Triggerfish Palhaço e mais umas atiradiças Sweet Lips (estas não me largaram nem ao Pedro Nunes... são umas atiradiças!).

São horas de ir curtir mais um Drift. E lá arrancamos nós. O Pedro Nunes faz-me sinal que estava a fazer filme. Aproveito para fazer uma demonstração "live" do domínio e manobras que passamos a semana a praticar. Estou em plena demonstração artística quando a Graça me faz sinal de Tartaruga à nossa direita. Travo de repente e pico 1 metro para passar por baixo das meninas e lá parto eu em direcção à Tartaruga. Tenho de nadar uns bons 20 metros contra a corrente forte que se fazia sentir. Chego finalmente junto da Tartaruga mas esta não me deu hipótese de tirar mais do que 2 ou 3 fotos. Que mania absurda que estes animais tem de se por a nadar contra a corrente!



Ouço os meus 3 companheiros a chamar. Viro-me e já não os vejo. Bem, só podem ter ido no sentido da corrente. Começo a dar à barbatana vejo uma lanterna a acender e apagar. Só podem ser eles. Dou gás. A corrente é de arrancar pedras do chão, está a meu favor e eu ainda por cima dou às barbatanas com todo o power. A velocidade atingida é simplesmente alucinante. É a loucura total.

Soube posteriormente que o Pedro Nunes e a Fató quando me viram picar e começar a pedalar para a tartaruga ainda se conseguiram parar e agarram a uma pedra próxima. No entanto passa a Graça ao largo, não se conseguir agarrar, e os olhos já estão prestes a saltar da máscara, pelo que o Pedro chama a Fató e decidem acompanhar a Graça.

Lá me junto a eles, tem a Graça já a bóia de sinalização lançada e fazem o patamar de segurança. Olhamos para cima e reparamos nas gotas da chuva que se fazem notar na superfície. São as Maldivas a chorarem por saber que é o nosso último mergulho da viagem... Por onde passamos, deixamos marcas!...

PS - Obrigado ao nosso companheiro de viagem Austriaco Tim quer pela companhia, quer pela fantástica foto das Raias Águia.

Quinta-feira, Abril 06, 2006

Noticias das Maldivas (9)

De volta ao Aeroporto - Porque há sempre algo mais a dizer...

Não, ainda não é o aeroporto onde apanhamos o avião que nos trouxe de volta a Portugal.

O Pedro Nunes foi bem eloquente quando descreveu o fantástico aeroporto debaixo de água. Explicou que estes tenham sido talvez os seus melhores 65 minutos debaixo de água.

Já vos estou mesmo a imaginar a pensar no preciso momento em que liam aquelas linhas "Estes gajos são sempre os mesmos exagerados!...". E tem razão. Nós gostamos de fazer as coisas em grande.

Mas para que não fiquem dúvidas, vejam abaixo o que o Miguel Torres tem para nos dizer sobre o assunto...


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Ahh, não tentem contar as mantas que se vê no filme. Pode causar dores de cabeça...


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No meu LogBook descrevi este mergulho com uma palavra apenas: Orgásmico!...

Terça-feira, Abril 04, 2006

Noticias das Maldivas (8)

Maya Thila – Abaixo os Mitos.

Sempre ouvi dizer que em local de tubarões não se faziam mergulhos nocturnos. Uma vez que estes bichinhos gostam de caçar de noite. Mas… os mitos também se abatem.

Logo no briefing o Ari Atol falou na possibilidade de encontros imediatos do 1º grau mas, céptico como sou, continuei a achar que os iria ver ao longe. Sim, porque ao contrário de certas lanternas foleiras chamadas Kowalski, eu tenho uma fabulosa Deeply com luz de HID, que me ilumina até ao abismo.


Este local de mergulho era mais uma Thila (em espanhol: baja), com muito pouca ou quase inexistente corrente, que ia até aos 30 metros de profundidade e com a água fria do costume (na casa dos 28 a 29ºC, diria que quase precisava de fato seco!).


E não é que os tubarões andavam lá! Numa fase inicial, enquanto andávamos na parede, eles andavam no azul. Assim que fomos para o interior do Thila, eles fizeram-nos companhia. E era vê-los a distâncias inferiores a um metro, indiferentes aos estonteantes relâmpagos dos flashes disparados pelas máquinas fotográficas e/ou ao intenso Luar das nossas lanternas. Esta cena repetiu-se dezenas de vezes…


Como existe sempre uma fava no bolo-rei, chegamos a pensar que esta seria uma barracuda com mais de metro e que se passeava sozinha. Ilustres colegas receavam apontar a lanterna ou tirar fotografias à nossa amiga, não fosse ela ser atraída pela luz. Mas esta devia estar amestrada (seria com salsichas como os Meros de Porto Santo?) ou seria vaidosa? E teimava em passar-nos verdadeiras tangentes vinda do profundo escuro da noite. Não tenho confirmação se no final do mergulho alguém precisou de lavar o fato!


E como os mitos se baseiam em verdades, tivemos a oportunidade de ver um tubarão a caçar (coitado do borboleta que a fotografia documenta), nem deu tempo ao desgraçado de dizer as suas últimas orações e de fazer o derradeiro pedido, e já estava na barriga do maior e mais forte. Esta cena parecia tirada de um filme do tempo dos romanos: o animal na arena, o desgraçado para ser comido e nós na assistência a bater palmas e contentes com tal espectáculo.


Apesar da devida importância que os tubarões têm, não posso deixar de mencionar outros encontros importantes como: raia, peixe-balão, palhaços em lindas anémonas violetas, balístico palhaço, garoupas, trompetas, peixes-leão, variadíssimo soft coral e crias de tubarão (lá voltei eu outra vez aos nossos amigos).


Até já tinha um MMS preparado para mandar ao 3M, não fosse a rede não o permitir e ele tinha recebido a fotografia de um tubarão com o seguinte texto: vaselina by night.

Domingo, Abril 02, 2006

Noticias das Maldivas (7)

Guraidhoo Corner - Quando a lavagem não fica bem à primeira, lava outra vez!...

O plano era fazer a parede com braço esquerdo a cerca de 10-15 metros de profundidade, e atingindo a esquina do canal descer até aos 30-35 metros onde ficaríamos a assistir ao espectáculo esperado.

Caímos á água. Apanhamos logo uma corrente descendente que nos empurra bem mais lá para baixo do que tínhamos planeado. Os 15-20 metros passaram a 35. A amiguinha do Zé Maria (ou do Miguel Torres, porque nós reparamos que havia uma competição entre os dois para ver quem dava a mão de apoio para que ela pudesse calcar todas as barbatanas no barco!) parecia um prego e deve ter chegado aos 40. A determinada altura ainda pensei "Ai ai ai, ai ai ai que ela vai se agarrar a mim e vamos os dois por ai abaixo...".

Finalmente conseguimos estabilizar a descida e juntar-nos à parede. Começamos calmamente a reduzir a profundidade. Temos de remar contra a corrente. Decidimos investir nesse esforço extra pois no briefing avisam-nos que mais à frente haveria uns bichinhos com dentes afiados à nossa espera, e que para trás a parede nada de interesse teria. Tomo a dianteira. Junto-me à parede e lá vou eu. Passados uns metros começo a sentir a corrente contra a diminuir de intensidade. Ou melhor, a começar a alterar a direcção. De facto começo a sentir a corrente a atirar-me contra a parede e a fazer-me subir ligeiramente. Deixo-me ir. Afinal de contas é simpático ser levado ao colo. Olho para trás, vejo a Graça a cerca de 5 metros. O Pedro e a Fató seguiam cerca de 5 metros atrás da Graça.

E o esforço pagou: 1 Tubarão Ponta Branca a pairar no cimo do recife. Olho novamente para trás e faço sinal à Graça. Faço sinal também sinal ao Pedro. E lá parto eu, autêntica flecha com um alvo em mente. Posso assegurar que aquele Tubarão ficou furado como um coador face à rajada de disparos da minha máquina fotográfica. Escusado será dizer que a Graça não viu o tubarão...

Entretanto a corrente, face à diminuição da coluna de água fazia sentir-se com maior intensidade. Estou no topo do recife. Sinto a fúria da corrente. Agarro-me a uma pedra para poder esperar pelos meus companheiros e podermos decidir para onde continuar-mos o mergulho. Conseguir chegar à esquina e descer até aos 30 metros estava completamente fora de questão.

Por esta altura o Flash deixou de funcionar... Obviamente passei-me.

Mais um drift electrizante. Esta parte do mergulho foi agarrado a esta pedra no topo do recife, a tratar do penteado....

Saímos para a lateral do recife, a saltitar de pedra para pedra.

Logo no inicio da parede há uma cavernazinha onde a Graça e a Fató se metem, protegidas da corrente. Vou para lá e aproveito para fazer mais uns disparos. Mas sem fogo de artifício... E logo quando iria tirar as fotografias do século... Ou não, mas é preciso acreditar sempre.

Os outros mergulhadores passam de gás a fundo. Faço sinal às meninas, e arrancamos. Brincamos no drift, até o Rudi passar por baixo de mim, e para não embater com ele decido fazer uma torção do corpo. Movimento lindo! Grande domínio. Resultado imediato conseguido, mas consequências mais nefastas para a continuação do mergulho, pois afasto-me ligeiramente da parede. E lá vou eu por ali abaixo puxado pela corrente descendente. Chamo a Graça para o pé de mim e faço-lhe sinal que estávamos a ser puxados para baixo.

A Graça junta-se a mim, deixo de ver o Pedro e a Fató a faço sinal para a Graça lançar a bóia. Afinal de contas estávamos a entrar em mais uma washing machine e o ar já não era muito. Levamos com 2 slows seguidos, ainda efeito da washing machine e finalmente estabilizamos.

A Graça lança a bóia e começamos a subida. Lá para os 10 metros encontramos o Pedro e a Fató também pendurados na nossa bóia. Ainda bem que conseguiram juntar-se a nós.

Estamos a fazer o patamar de segurança (quando chegamos aos 6 metros o computador apresenta 4 minutos, mas reverteu de imediato para apenas os 3 minutos de segurança) e vemos o Miguel Torres pendurado na sua bóia. Perguntamos pelo Zé Maria e ele disse-nos que o perdeu.

Pomos a cabeça de fora de água e estavam uma série de bóias de sinalização a colorir o azul da água e a contrastar com o cinzento do céu.

Quando chega o Dhoni, vem o Zé Maria à proa, autêntico Leonardo de Caprio, só que este barco não afundou. Foi mais um alívio.

Entramos no barco e deparamo-nos com um companheiro com a mascara de oxigénio. Tinha sido também apanhado na washing machine o que o obrigou a consumir bastante ar, ar este que terminou no patamar de segurança e subiu directo. Por precaução fez oxigénio.

Assim que chegamos ao barco, fiz o download do computador de companheiro acidentado, e analisamos o perfil. Perfil como mandam as regras e mergulho pouco prolongado, com carga reduzida dos tecidos. Só não foi cumprido a totalidade do patamar de segurança, não deve haver problema. E de facto não houve.